Archive for the ‘Livros’ Category

Casamento entre o Céu e a Terra – Leonardo Boff

“Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (…)

(…) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra.”

Casamento entre o céu e a terra. Salamandra, Rio de Janeiro, 2001.pg09

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A Pequena Alma e o Sol – Neale D. Walsch

“Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:- Eu sei quem sou!E Deus disse:- Que bom! Quem és tu?E a Pequena Alma gritou:- Eu sou LuzE Deus sorriu.- É isso mesmo! – exclamou Deus. Tu és Luz!A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.- Uauu, isto é mesmo bom! – disse a Pequena Alma.Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus ( o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É ) e disse:- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?E Deus disse:- Quer dizer que queres ser Quem já És?- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! – respondeu a pequena Alma.- Mas tu já és Luz – repetiu Deus, sorrindo outra vez.- Sim, mas quero senti-lo! – gritou a Pequena Alma.- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira – disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.- Há só uma coisa…- O quê? – perguntou a Pequena Alma.- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.- Hã? – disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá, sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um sol sem uma das suas velas… e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz, quando estás no meio da Luz? – eis a questão”.- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! – disse a Pequena Alma, mais animada.Deus sorriu novamente.- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão – disse Deus.- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.- É aquilo que tu não és – replicou Deus.- Eu vou ter medo do escuro? – choramingou a Pequena Alma.- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.- Ah! – disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.
Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é – disse Deus. Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, – continuou Deus – quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? – perguntou a Pequena Alma.- Claro! – Deus riu-se. Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!- Uau! – disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando.Posso ser tão especial quanto quiser!- Sim, e podes começar agora mesmo – disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma – Que parte de especial é que queres ser?- Que parte de especial? – repetiu a Pequena Alma. Não estou a perceber…- Bem, – explicou Deus – ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes:É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente.Conheces alguma outra maneira de ser especial?A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.- Conheço imensas maneiras de ser especial! – exclamou a Pequena AlmaÉ especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.- Sim! – concordou Deus. E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de.- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! – proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?- Ah, sim, isso é muito especial – assegurou Deus à Pequena Alma.- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim – disse a Pequena Alma.- Bom, mas há uma coisa que devias saber — disse Deus.A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.- O que é? – suspirou a Pequena Alma.- Não há ninguém a quem perdoar.- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.- Ninguém! – repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta!Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados, de todo o Reino, porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar: Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.- Então, perdoar quem? – perguntou Deus.- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! – resmungou a Pequena Alma . Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.
E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te – disse a Alma Amiga.Vais? – a Pequena Alma animou-se. Mas o que é que tu podes fazer?- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!- Podes?- Claro! – disse a Alma Amiga, alegremente. Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.- Mas porquê? Porque é que farias isso? – perguntou a Pequena Alma. Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti!O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?- É simples – disse a Alma Amiga. Faço-o porque te amo.A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.- Não fiques tão espantada – disse a Alma Amiga .Tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau. Fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.E assim, – a Alma Amiga explicou mais um bocadinho – eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má”, desta vez.Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? – perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.- Oh, havemos de pensar nalguma coisa – respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, e disse numa voz mais calma: Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?- Sobre o quê? – perguntou a Pequena Alma.- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! – exclamou a Pequena Alma. E começou a dançar e a cantar: Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.- O que é? – perguntou a Pequena Alma. O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! – interrompeu Deus, – são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.- O que é que posso fazer por ti?- No momento em que eu te atacar e atingir, – respondeu a Alma Amiga – no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento…- Sim? – interrompeu a Pequena Alma. Sim?A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.- Lembra-te de Quem Realmente Sou.- Oh, não me hei-de esquecer! – gritou a Pequena Alma. Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.- Que bom – disse a Alma Amiga – porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.- Não vamos, não! – prometeu outra vez a Pequena Alma. Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva – a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.
E assim o acordo foi feito.E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza – principalmente se trouxesse tristeza – a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito: Lembra-te sempre – Deus aqui tinha sorrido – não te enviei senão anjos.”

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